terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nenhum toque





Não despertes o meu silêncio
É momento de acalentar a solidão
Deixa-me caminhar sobre os
seixos da busca
Permite que minha palavra deserte
Da nascente rumorosa e inquieta
Onde transbordam minhas mãos
Não me imagines em abandono
Nem que me dissipo pelas rasuras
Do extremo vazio é que me vivifico
Peregrino-me, atravessando-me o sentir
É entre a pele e a alma que me perscruto
Desamarrotando o esboço de uma sobrevivente esperança

Não pressuponhas que não estás em mim
São tuas todas as noites que me esperam
Partir de ti seria fugir-me
Mas há em meu peito
ilhas de solidão de mim mesma
Onde me desencontro da multidão
que me habita
Não penses que me deterão
as algemas da descrença
É necessário que alguns passos
mirem-se à beira do precipício
Para que eu me descubra na penumbra do que não vi
Talvez eu precise rever o infinito
Onde desacreditei de alguns vôos
E fundir-me somente comigo
No espelho do horizonte desconhecido
Seja agora meu refúgio e urgente destino :Cristina

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